Paraná

Câmara de Curitiba

Homenagear psicóloga que prega "cura gay" é vergonha para Curitiba, dizem Mães pela Diversidade

Câmara aprovou Cidadania Honorária à Deuza Maria de Avellar, que defende pautas contra a população LGBTQIA+

Curitiba (PR) |
Deuza Avellar (terceira da esquerda para a direita) defende cura para a homossexualidade e outras pautas que atacam população LGBTQIA+ - Foto: Reprodução Facebook

O coletivo Mães pela Diversidade se manifestou contra a concessão de Cidadania Honorária à psicóloga Deuza Maria Avellar, aprovada na Câmara de Curitiba, na segunda (6). Para o coletivo, a homenagem a quem "fomenta o ódio" é uma "vergonha para Curitiba." A carta foi enviada aos vereadores de Curitiba e as Mães pela Diversidade cobram que o prefeito Rafael Greca (DEM) vete a homenagem.

Avellar é especialista em Psicologia Clínica e atua como mentora de empresários e é membro da Primeira Igreja Batista de Curitiba, onde participa do Ministério Bússola Sexualidade. Ela se autointitula "militante pró-vida, família e infância" e defende abertamente pautas que atacam a população LGBTQIA+, como a "cura gay". A psicóloga já falou que a homossexualidade é resultado de "lavagem cerebral" da mídia e que "não é uma condição permanente."

"Dona Deuza fomenta a mentira, o ódio e a violência contra a população LGBTQIA+ e isso não pode ser considerada uma contribuição saudável a nossa sociedade curitibana", diz trecho da carta das Mães pela Diversidade.

Para o coletivo, a homenagem a Avellar é uma "nova violência contra nossos filhos." "Discursos de ódio que se amparam no preconceito e na ignorância desses fatos são discursos que visam o sofrimento e a destruição de pessoas e de famílias como as nossas [...] tudo que pedimos é paz e respeito", apontam.

Votos contrários não foram suficiente

A Cidadania Honorária foi proposta pelo vereador Ezequias Barros (PMB) e teve 20 votos favoráveis, 5 contrários e 2 abstenções.

Contrária à proposta, a vereadora Carol Dartora (PT) lembrou que o Brasil lidera rankings de violência contra a população LGBTQIA+. “Homenagear uma psicóloga que se coloca para fazer tratamento sexual, cura gay e coisas desse tipo é algo que essa Casa não deveria tolerar porque já se tornou insustentável querer coibir essa expressão da diversidade humana”, disse Dartora.

Também encaminharam voto contrário as vereadoras Professora Josete (PT), Maria Letícia (PV) e os vereadores Renato Freitas (PT) e Dalton Borba (PDT).

Edição: Lia Bianchini