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Música

ARTIGO: A Experiência Sofar Sounds Curitiba

Depois de quase dois anos sem eventos presenciais, o Sofar Curitiba voltou no último dia 19/12

Curitiba |
Iria Braga e Carlito Birolli abrindo a edição do Sofar Curitiba que ocorreu no último domingo, 19/12 - Divulgação Sofar

 

*Por Carolina Wos e Guilherme Dolenko.

 

A experiência Sofar Sounds Curitiba – e não tem palavra melhor para descrever o evento do que “experiência” – fez diminuir a distância e a saudade da noite curitibana neste último domingo (19/12). Esta edição celebrou o retorno do festival ao híbrido (o evento foi presencial e também foi transmitido simultaneamente no Youtube do Sofar Curitiba), depois de quase 2 anos de pandemia.

Sofar Sounds é uma comunidade internacional de música independente que realiza edições em 400 cidades ao redor do mundo. Sua marca registrada é promover shows secretos em espaços alternativos e redefinir a experiência da música ao vivo.

A curiosidade toma conta nos dias que antecedem ao show: após confirmar a participação, somos informados do local somente 48h antes do dia marcado no ingresso, e só ficamos sabendo das atrações no instante em que elas são chamadas ao palco.

A atmosfera que se cria em torno do evento é a de mistério mas também de cumplicidade, sabemos que estamos prestes a compartilhar uma experiência inusitada com uma comunidade interessada em prestigiar a cena independente.

Ao chegar no local, a Casa de Pedra do Nex Coworking, com o passaporte de vacinação para covid em mãos, somos recebidos pela discotecagem da ótima DJ portuguesa Adri Menegalle. O palco, montado em meio a um jardim, com tapetes e almofadas espalhadas no gramado, convidava as pessoas a se aproximarem, em um clima familiar e descontraído.

O clima, as músicas, as bebidas, as conversas, a estrutura acolhedora do festival, tudo isso culminou na sensação de que estávamos na casa de amigos ou conhecidos, desfrutando um fim de tarde agradável.

Logo no primeiro show da noite, os acordes de Carlito Birolli, acompanhados pela voz marcante e doce de Iria Braga, dariam o tom do que foi o evento: um espaço para estar em contato com o espírito coletivo da música.

O som intimista de João Triska e Stéfanos Pinkuss foi convidando a gente a chegar cada vez mais perto.

O rapper Beduíno esquentou a noite com seu ritmo, suas letras ácidas atravessadas por questões pessoais e críticas sociais.

A voz potente de Janine Mathias, cria do Sofar Curitiba, trouxe ao palco canções inéditas que emocionaram e fizeram dançar.


a sambista Janine Mathias se apresentando na edição híbrida do Sofar Sounds Curitiba / Divulgação Sofar Sounds Curitiba

Fechando a noite dessa edição do Sofar Sounds, o grupo Mulamba em uma performance inesquecível uniu público e artistas em uma coisa só, reforçando a importância política do evento como fomentador da música independente.

Nessa generosa diversidade musical, que foi da MPB ao Rap, passando pelo Rock e pelo Samba, o encontro híbrido nos permitiu curtir com segurança a espontaneidade dos encontros e criações musicais.

Em um clima vibrante de reencontro entre conhecidos e desconhecidos, esta edição híbrida do Sofar Sounds promoveu um sentimento de cumplicidade: entre artistas, público, organizadores, e entre o festival e a cidade. O Sofar Curitiba realizou-se neste domingo não somente como uma excelente noite de festival, como também um sinal de que a vida pode estar voltando lentamente a pulsar.

 

*Carolina Wos é produtora cultural, pesquisadora e curadora teatral e Guilherme Dolenko é documentarista, sound designer e músico.

 

Edição: Ana Carolina Caldas