O Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Inpe emitiu, no primeiro trimestre deste ano, 28,7 mil alertas de supressão da cobertura vegetal na Amazônia Legal. A pandemia deveria diminuir a atividade humana na natureza, mas ocorreu o contrário, a destruição da floresta aumentou 55% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para o ambientalista Mauricio Savi, esse desequilíbrio no meio ambiente é um dos causadores das pandemias. Quando se destroem os habitats naturais das espécies, elas procuram novas formas de sobreviver. E entre essas espécies, os vírus têm alto poder de adaptação. Confira os principais trechos da entrevista:
Brasil de Fato Paraná – Qual é a relação entre desmatamento e pandemias?
Mauricio Savi – Uma pandemia por vírus está diretamente ligada à contaminação e destruição de habitats naturais. Este é um gatilho apontado por artigos e revistas científicas. Mas governos e empresários aproveitam o momento em que todos estão focados no problema e veem uma oportunidade de fazer ou se omitir em verdadeiros holocaustos da biodiversidade e de agravamento das condições do clima.
BDF – O que fazer para evitar futuras pandemias?
Savi – A pandemia que vivemos agora traz algo coletivo. É uma doença coletiva e tem de ser tratada dessa forma. Quando há interrupção de processos econômicos vemos a melhora em ambientes naturais, atmosféricos e hídricos. Porque é uma ação coletiva. Vivemos a maior crise da humanidade, a crise da biodiversidade. Quando dizimamos espécies e ambientes, favorecemos outras espécies oportunistas surgirem. Sem o ciclo natural, sem os devidos predadores, os vírus chegarão até outras espécies, como os seres humanos. Quando a humanidade toda para, é uma oportunidade de rever padrões, das formas de relação com a natureza. Se ficarmos esperando um milagre com a vacina e não fizermos essa reflexão, será impossível evitar outras pandemias.
Edição: Gabriel Carriconde