Paraná

CORONAVÍRUS

Tardiamente, Ratinho Jr anuncia medidas restritivas para regiões mais afetadas

Esperávamos mais rigor e mais proteção à vida das pessoas, disse o deputado Lemos (PT)

Curitiba | PR |
Coletiva de imprensa, nesta terça 30/06 - Divulgação

Falta de insumos, de profissionais intensivistas nas unidades de saúde e baixo índice de isolamento social são alguns dos motivos que levaram o governo do Paraná anunciar tardiamente, nesta terça (30), medidas restritivas para sete regionais de saúde mais afetadas com o coronavírus. Ao todo, a área dessas sete regiões compreendem 134 municípios e 75% dos casos de infecção pelo coronavírus no estado do Paraná estão concentrados nessas cidades.As determinações valem para um período de 14 dias para as seguintes regionais de saúde: Curitiba e Região metropolitana, Cascavel, Londrina, Foz do Iguaçu, Toledo, Cianorte e Cornélio Procópio. O anúncio acontece no dia do maior número de casos confirmados no Paraná: 1500 paranaenses confirmados com COVID-19 num só dia.

Entre as principais medidas determinadas no Decreto 4317/2020, estão o fechamento total das atividades não essenciais como comércio, shoppings, academias, salões de beleza e estética, suspensão do funcionamento presencial de lanchonetes e restaurantes, supermercados devem funcionar até sábado e com 30% da capacidade total, fica proibida a circulação de pessoas das 22:00 horas às 05:00, o transporte público poderá atender apenas trabalhadores de serviços essenciais e suspende o funcionamento de bares e casas noturnas. Devido à escassez de medicamentos ficam suspensas as cirurgias eletivas. O novo decreto também autoriza os municípios utilizarem barreiras sanitárias no limites de seus territórios. A fiscalização nas cidades será realizada pela Polícia Militar em conjunto com as Guardas Municipais.

Segundo Secretário Estadual de Saúde, Beto Pretto, o colapso do sistema de saúde no Paraná poderá vir da falta de remédios e profissionais. "O que nos falta é o que falta em todo o Brasil: insumos, como remédios para entubamento, como propofonol e de profissionais intensivistas. Aguardamos medidas do Ministério da Saúde para resolver estas lacunas. Mas, até que isso ocorra teremos que adotar medidas restritivas para tentar diminuir a velocidade de contágio."

Beto Pretto explicou as especificidades e problemas das regiões definidas. “No interior do Paraná, oeste e sudoeste, temos aumento de focos de doenças (clusters) ligadas a atividades como frigoríficos, por exemplo. Já Curitiba e Região Metropolitana têm problemas de aglomeração e baixo isolamento social”, explicou.

Ratinho Jr foi questionado pela imprensa se há possibilidade de lockdown em todo o Estado e porque não ocorreu antes do atual cenário que é mais negativo, a exemplo de vários países. “Desconheço países que tenham feito fechamento total e não tenham voltado com números de contaminações. Apenas Taiwan eu posso citar,” disse Ratinho. Entre os países que adotaram lockdown e já estão voltando às atividades normais, sem aumento de casos, está, por exemplo, a Nova Zelândia, em que “lockdown” foi decretado logo após o primeiro caso de contágio, em 28 de fevereiro. Desde o 13 de maio, o país retomou a normalidade.

O deputado Lemos (PT) considera o decreto insuficiente. " Esperávamos mais rigor e mais proteção à vida das pessoas. E, por outro lado o governo não tem investido na ajuda para que as pessoas possam ficar em quarentena."

Há a possibilidade, segundo informou o Governador, que o período de 14 dias seja alterado para mais 7 dias, a depender, dos números alcançados. "A meta é conseguir o índice de transmissibilidade para 1 e alcançar pelo menos 55% de isolamento social", disse Ratinho. Atualmente o Paraná tem uma taxa de 1.37% de transmissibilidade e o índice de isolamento nos finais de semana é de 46%, caindo para  36% durante a semana, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná.

Edição: Lucas Botelho e Pedro Carrano